Roteiro com as Aves do Alentejo

No “Roteiro com as Aves do Alentejo”, da autoria de Miguel Pais e Rogério Cangarato, o primeiro local de visita recomendado é o alto de S. Gens. Uma impressionante vista em todas as direcções deixa adivinhar para Sul os contornos de Alcaria Ruiva, pequena serra próxima de Mértola, e, do outro lado do Guadiana, da grande Serra do Caldeirão, em território algarvio. A Norte, o imponente maciço da Serra Morena que ajoelha suavemente para a Serra de Portel, marca os contornos do horizonte.

É, de facto, um dos melhores locais para se aperceber a possível interconexão entre algumas grandes serras da bacia do Guadiana, através das acentuadas depressões que se advinham na paisagem, ao longo dos vales do Guadiana e do Chança, rio fronteiriço que nasce na Serra Morena e delimita a metade Sul da Margem Esquerda do Guadiana em território português.

Os arredores de Serpa são principalmente utilizados para a exploração de culturas tipicamente mediterrânicas, como o olival. A diversidade de passeriformes associada aos matos baixos e olivais é aqui grande e aconselham-se paragens e percursos a pé para identificar os cantos das várias espécies que se escondem entre as folhagens densas (melros e tordos, estorninhos, chapins, carriça, felosas e toutinegras, entre outras).

A partir de Serpa, para Sul, existem duas alternativas: o vale do Guadiana, na zona do Pulo do Lobo (atravessando uma tipologia de habitat verdadeiramente típica da Serra de Serpa) ou a estrada nacional Serpa – Mértola, onde é possível conhecer a lindíssima Ribeira de Limas e o não menos imponente Rio Chança. A diversidade ornitológica é grande e o melhor conselho que é possível transmitir é mesmo dispor de mais de um dia para conhecer todos os recantos acessíveis a partir das estradas nacionais, sempre sem perturbar a fauna e sem danificar a flora.

Entre Serpa e Vale do Poço, pela estrada que passa ao Pulo do Lobo, a Serra de Serpa mostra a sua história recente de sobre-exploração do montado intimamente relacionada com a grande necessidade de combustível (lenha/carvão) para a Mina de S. Domingos. O montado está envelhecido e é bastante disperso. Nesta paisagem quase abandonada de usos humanos actuais, a degradação florestal é grande e requer um plano integrado de recuperação que trave a desertificação da área. Por entre a paisagem ondulada (que induziu a toponímia de “serra” no vocabulário colectivo local), é possível observar com relativa facilidade o Peneireiro-cinzento e, nas zonas onde os matos abundam, a localizada Toutinegra-tomilheira.

A aproximação ao Pulo do Lobo e ao rio Guadiana introduz o observador na zona das grandes águias. Águias reais e Águias de Bonelli estão presentes como nidificantes, para além da zona ser visitada regularmente por indivíduos não reprodutores que frequentam as áreas mais abertas ou as proximidades dos ninhos onde nasceram.

A paisagem é impressionante no Pulo do Lobo. Matagais de esteva dominam as encostas e grandes rochedos talhados pelo Guadiana, que aqui apertou o seu curso, e albergam todas as espécies próprias das zonas mais remotas desta região do país tais como a Cegonha-preta, o Bufo-real, o Rouxinol-do-mato e várias espécies de mamíferos e carnívoros.

Próximo à povoação de Vales Mortos, uma estrada secundária conduz a Corte de Pinto e, a partir da mesma, para Este, saem várias estradas de terra batida em direcção ao Rio Chança. Juntamente com alguns sectores do vale do Guadiana, é uma das zonas que terá sido mais poupada à intensa “campanha do trigo” e mantém, ainda hoje, uma vegetação com uma estrutura bastante íntegra. É novamente altura de estar atento à presença de aves de rapina diurnas e nocturnas, para além de espécies rupícolas e passeriformes associadas às linhas de água e matagais cerrados. É uma das zonas onde a detecção dos interessantes Rouxinóis-do-mato, Toutinegra-tomilheira e Felosa-do-mato é mais fácil, dada a sua abundância relativa. As zonas de caça de regime ordenado (turísticas e associativas) são aqui dominantes e é sempre necessário respeitar a propriedade privada e a necessidade de uma eventual autorização para visitar o seu interior.

Fonte: Câmara Municipal de Serpa

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