PROJECTO DE CIDADE/MUNICÍPIO EDUCADOR

Na sessão de lançamento do livro da Carta Educativa do Concelho de Loulé, que ocorreu em 12 de Outubro último, ouvi, pela primeira vez, falar da intenção do Executivo Camarário desenvolver acções conducentes à consecução dos objectivos teoricamente previstos para as Cidades Educadoras. Obviamente que aceitei de bom grado tal intenção pois ela correspondia a uma convicção pessoal que fui cimentando nos últimos anos de actividade profissional e que, no âmbito das competências educativas cada vez mais atribuídas às autarquias, poderia ser conseguida através de uma gestão autárquica planeada, largamente participada e correctamente monitorizada.

Na mesma sessão percebi que a ambição do Executivo ía mesmo ao ponto de pedir de imediato a adesão à Associação Internacional de Cidades Educadoras. Estava presente no acto um dos nossos mais prestigiados académicos, que tem escrito sobre este assunto e que afirmou ser “cedo para pedir esta adesão”, tendo explicado o motivo. A minha primeira impressão sobre este pedido ficou confirmada. Não é o facto de aderir a uma associação desta natureza que torna o Município de Loulé educador. É preciso começar por definir o papel da Autarquia na construção de um município com tais características, fazer essa reflexão com muitas pessoas em posição chave em todas as freguesias, elaborar um plano de acção com definição muito fina das étapas, actividades a desenvolver, intervenientes, recursos, formas e instrumentos de monitorização. A Carta Educativa já elaborada é um instrumento de suporte, mas não é o plano educativo do Concelho de Loulé. Para se chegar a Cidade Educadora muitas acções têm de ser executadas, todas têm de estar inseridas num Plano e este tem de ser compreendido e assumido pelo maior número possível de pessoas.

Apesar de consciente de tudo isto achei importante valorizar a intenção de começar. Numa perspectiva construtiva, que tem estado sempre presente na postura dos vereadores da oposição, foi dado o voto favorável, e este foi acompanhado de uma declaração de voto, como contributo de reflexão, que terminava com o testemunho de disponibilidade para apoiar a iniciativa. Mais uma vez o Sr. Presidente não leu o nosso documento e de seguida, numa ânsia de dizer algo que nos pudesse pôr em causa, acabou por trocar os pés pelas mãos e ditou para a acta o que está contido no nosso baú. O seu texto leva-me a pensar que naquela altura de decisão ainda não tinha interiorizado o conteúdo da Carta de Princípios das Cidades Educadoras.

Desejo muito, porque pertenço a esta Terra e a Educação tem sido a grande motivação de vida, que daqui a alguns anos se possa afirmar que vivemos num Município Educador e que pertencemos de direito à Associação Internacional. No momento actual, se conseguirmos ter saber, vontade e muita humildade, apenas vamos dar passos, que só na aproximação aos objectivos pretendidos poderão ser chamados de gigante.

Não é altura para encomendar os outdoor e muito menos para levantar as bandeiras.

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